O meu cabelo amanheceu…

Fogo
… pegando fogo, fogo, fogo!!!

Nunca esqueço. Mas essa foto, tirada hoje, me fez lembrar com muita nitidez de mais um momento ruivo da vida.

Tinha 17 anos, viajei com um grupo bem grande (alguns já eram amigos, outros apenas conhecidos e muitos eu ainda não conhecia – eram umas 40 pessoas!) para o Oriente Médio. Fazia frio, muito frio.

Certo dia pela manhã, cheia de sono (sabe aqueles passeios por locais históricos que fazem você levantar às 5h, depois de ir dormir às 3h?) e congelando de frio, vejo um dos amigos parados perto de mim, com as mãos levantadas, como se estivesse me abençoando, começando um passe, sei lá! Eu não sabia se perguntava o que era aquilo, se desistia de entender, ou se simplesmente fechava os olhos pra dormir em pé mesmo. Estava intrigada e ele parecia esperar alguma reação da minha parte, mas minha mente ficava naquele loading infinito na busca da explicação.

Acho que se ele não tivesse percebido que eu estava em modo zumbi, estaríamos até hoje lá, o amigo tentando fazer a piada e eu decidindo se tentava entender. Então ele tirou as luvas, guardou no bolso, voltou com as mãos pro topo da minha cabeça, e fez com elas aquele movimento de quem aquece as palmas sobre uma fogueira… que no caso, era a minha cabeleira. E aí chamou mais um amigo… que fez outro vir… e antes que eu pudesse reagir, mesmo já entendendo a situação, formou-se uma roda à minha volta, e eu só pude gargalhar.

Os dias seguiram e isso virou praticamente uma saudação matinal pra mim. Quem ainda não me conhecia, não demoraria muito para se sentir a vontade de chegar perto e participar. Eu sempre ria, enquanto imaginava como faria, de brincadeira, pra estragar a brincadeira deles.

Então um dia saquei meu gorro, que não gostava de usar, coloquei na cabeça e ajeitei o cabelo todo pra dentro, joguei o capuz do casaco por cima e falei, me segurando pra não rir, pra acharem que era sério: Pronto, acabou a brincadeira!

Por um momento todos ficaram sem reação, achando que eu estava chateada (principalmente os que tinham me conhecido na viagem), e eu achei que tinha tirado com a cara de todo mundo, dado o troco… até que um dos amigos que já me conhecia – e sabia que esse era o meu plano – tirou meu capuz, puxou o gorro, jogou meus cabelos pra cima e começou a pular na minha frente cantando: “O meu cabelo amanheceu pegando fogo, fogo, fogo!!!” Claro que não demorou pra se formar um lindo e animado coro, com todo mundo pulando em roda, e eu no meio, tendo que dançar conforme a música e a multidão.

Mais pro final da viagem, resolvemos fazer um casaco do grupo. Colocaríamos as frases mais ditas na viagem pelos guias e uma frase que representasse cada um dos integrantes. A essa altura você já sabe qual foi escolhida pra mim.

Boas lembranças!!! Se você foi nessa viagem comigo e tiver uma foto do casaco, me envia, quero muito!!! Rs!

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Ainda não acredito! Mas ela tá aqui, na minha frente!

BorboletaLado1

Vocês estão vendo??? Estão vendo??? Diante dos meus olhos, uma borboleta ruiva!!! “De antenas alaranjadas, de pele dourada, de asas bem grandes, eu sou o coelhinho.” Não, quer dizer… gente, eu tô atordoada, é uma borboleta, é ruiva, sério, sabe?!!

Tem sido frequente a visita de borboletas pra mim ultimamente (vide meu Instagram, #anazyl). Coincidentemente ou não, é um momento de muitas mudanças na minha vida, principalmente de transformações internas. Às vezes tenho vontade de voltar pro meu casulo, ficar ali quietinha e escondida, no meu cantinho. Mas só enquanto faço uma pausa pra recarregar.

Cada vez mais acredito (e elas não me deixam mentir) que o mais importante é cuidar do meu jardim pra que as borboletas venham até mim, ao invés de tentar correr atrás. Até porque correr não é suficiente pra mim, gosto de voar, como elas. O mais alto que puder.

Cuidar do seu jardim tem a ver com não achar que a grama do vizinho é mais verde. Até porque a minha, por exemplo, PODE ser laranja (rááá, achou que eu ia fazer spoiler, né?!), como é que vou comparar?! Na verdade, você não tem que se preocupar com o jardim dos outros. Caso contrário, além de não atrair borboletas pro seu gramado que deixou de ser regado, se alguma delas tentar chegar perto, você não vai estar nem vendo, porque está olhando pro do lado.

Você acha que vou perder tempo e dignidade tentando descobrir se a grama da vizinha é mais laranja do que a minha (ixi, será que fiz spoiler?), ou se é de outra cor? Imagina se pergunto isso, ou se peço que me deixe ver a dela… ela provavelmente vai olhar pro meu cabelo, escanear o meu corpo como quem tem visão de Raio x e bater a porta na minha cara. E tem gente que pinta a grama, sabia?

Falando em pintar… e essa borboleta, gente… ruiva? Não sai da minha cabeça … será que pintou o cabelo??? Será que dá pra ver se a grama dela é ruiva, ops, laranja…??? Meu mantra agora é: não vou olhar a grama dela, não vou olhar a grama dela, não vou… A verdade é que não é fácil deixar de olhar pros gramados do lado, principalmente com eles sendo tão expostos nas mídias sociais. Mas lembre-se: além de muitos serem pintados, cuidar SÓ do seu é sempre o melhor que você tem a fazer!

Fim de cena, CORTA!

LigaDasRuivas-Cabelos

Era pra ser um dia normal, mas eu precisava cortar o cabelo. Era tanta ponta dupla se embaraçando que de tanto se enroscarem, em breve teriam filhotes.

Não gosto de ir a salão, do tempo que se perde etc, faço o máximo que posso por conta própria em casa. Mas cortar cabelo sozinha ainda não encaro. E quando chego lá, não raramente escuto comentários de todos os tipos sobre a cor. Até aí tudo bem, já estou acostumada. Mas algo saiu diferente dessa vez. Rs…

Como aderi ao desapego de cabeleireira, cada hora é uma, e em um salão diferente.

Cena 1: sou apresentada à cabeleireira disponível.
No caminho até à forca, quer dizer, à cadeira do lavatório que sempre me faz achar que dessa vez vai quebrar meu pescoço, ela pergunta qual tinta uso.

Cena 2: pânico. Ó céus, ela vai cortar meu cabelo!
Uma cabeleireira que acha que meu cabelo é pintado vai cortar o meu cabelo. Pela primeira vez tive medo. Incrédula, ela insistiu em perguntar se não tinha tonalizante ou nenhuma química pra chegar a esta cor.

Cena 3: Ao sair do lavatório, mostro minha sobrancelha e cílios, para que não reste dúvida que sou ruiva natural.
Graças a D’s foi o suficiente para convencê-la, imagina se ela pede pra ver se o carpete combina com a cortina… sentei na cadeira aliviada. Foi então que, para concluir, ela dispara a frase…

Cena 3: “Mas então o seu cabelo… É TOTALMENTE VIRGEEEMM???!!!!”
Sim, senhoras e senhores, ela gritou SÓ a segunda parte da pergunta. Pelo espelho, vi todos do salão virarem imediatamente pra mim. Acho que ela ficou mais vermelha do que eu e pediu desculpas, e tudo o que eu queria era que a cena chegasse ao final. Então olhei pra ela e só consegui dizer: CORTA!

 

Ah, vá?! Girafa também?!

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Depois da Foca ruiva, do piolho ruivo , dos dinossauros ruivos (Os Dinossauros eram ruivos!) e até do Bicho cabeludo ruivo… tem girafa ruiva também?! Tem, sim Senhor! É circo ou é Zoo? Não faz diferença.

O importante é que o mundo parece estar evoluindo. A singela girafa de pele branca e cabelos alaranjados, que foi descoberta na Tanzânia, é totalmente aceita por um grupo de girafas normais, que “parecem não se importar com o fato de ela ser diferente”, como menciona este artigo: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/01/tipo-raro-de-girafa-e-encontrado-na-tanzania.html. Mas antes disso, em um cenário mais cruel, o dinossauro ruivo foi extinto, a foca foi rejeitada pela família, a realidade do bicho cabeludo literalmente exposta e a safadeza do piolho revelada. (Desculpe, se quiser entender melhor, vai ter que ler todos os posts citados acima!).

Mesmo sendo bem recebida pelo grupo, a girafa ganhou o apelido de Omo (e tudo bem para quem não é tão radical assim com conceitos extremos do que é politicamente correto) e “Por conta de sua condição, a girafinha pode ser uma presa fácil para os predadores” (não tá fácil nem pra girafa, minha gente!)

Com tanto bicho ruivo sendo evidenciado, impossível não relembrar o post De ser humano a animal de zoológico.

Juro que não escrevi este texto com o intuito de forçar ninguém a ler todos os outros, mas o que posso fazer se a cada dia descobrem um novo animalzinho ruivo no planeta?!

Sério, o mundo deve estar de zoação comigo (o que não é novidade para uma ruiva), mas está cada vez mais divertido!!!

 

Ser ruiva é…

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Ser ruiva é… ser carioca e turista, ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro.

Ser confundida com uma turista no lugar onde nasci e vivo há (xx) anos (sem spoilers no momento), não é nenhuma novidade. Mas dessa vez ganhei até um souvenir, olha a situação melhorando pro lado Laranja da Força!

Poucos sabem como é estar na nossa pele branca e com sardas em plena praia de Copacabana, então acho válido o relato!

Peço um mate gelado de galão sujo. Status carioca: Checked. (Desculpem o inglês, mas tenho que zelar pelo meu lado turista de ser!). Passa um tempo (não muito, porque ruiva não pode ficar tanto no sol…), peço também um picolé de frutas: – “tá quanto?” e o vendedor responde: 7 reais. Ooooiiiii???? Devo ter feito uma cara tão surpresa enquanto indagava, que o cara se assustou e deu um pulo. Não sei se por perceber que minha indignação era carioca ou se de arrependimento pelo preço. Ou os dois. Continuei: – moço, sou carioca, daqui do Rio de Janeiro meSHmo, nasci aqui há 32 anos (ops! Spoiler liberado!), vivo aqui deSHde então, e embora eu eSHteja maiSH branca do que a areia e a situação econômica eSHteja triSHte, um picolé de frutaSH a 7 reaiSH eSHtá fora demaiSSHHH da realidade!!! Câmbio, desligo e respiro! Ainda atordoado, ele responde bem baixinho: – então escolhe o picolé que você quiser, por R$5, e toma esta pulseirinha aqui de presente. E toma cuidado para não ser mais confundida!

Agradeci, coloquei a pulseirinha no pé enquanto ele pegava o picolé e ri. Afinal, vou fazer o quê, além de usar o souvenir – que era uma pulseira – como tornozeleira, pra situação ficar um pouco mais estranha do que já estava?!

 

 

Tem cura, doutor?

Ontem, após uma reunião em um café, permaneci no local, trabalhando, até o horário de outro compromisso que tinha por perto.

Estava em uma bancada, mais especificamente na segunda cadeira, com um caderno à minha frente e minha pasta ao lado.

Eis que adentram o ambiente 2 portuguesas (nada contra portugueses, pelo contrário, sou apaixonada por aquele país e pelas pessoas que conheci lá!!!), cito a origem apenas para contextualizar a história de duas estrangeiras falando português, embora de Portugal, no meu país de origem, cuja língua também é o português, embora seja brasileiro.

Percebi que se movimentavam na tentativa de ocupar o cantinho que sobrava do meu lado, onde estava a primeira cadeira, mas estavam um pouco tímidas para interagir comigo. Juntei meu material, pulei uma cadeira e abri espaço para elas. Uma delas me agradeceu, em inglês.

Isso acontece com certa frequência e estaria tudo normal até aí… não fosse eu ter respondido também em inglês, automaticamente, sem nem me dar conta… só percebi na hora que saí, quando elas me olharam com simpatia, dei um sorriso e disse “tchau, bom dia”… e a que me agradeceu arregalou os olhos, e com as bochechas levemente coradas me disse um bom dia praticamente engasgado.

Tem cura, doutor?

 

Bicho cabeludo

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Estava almoçando com amigos e conversávamos sobre bichos diversos. Comentei sobre insetos e lagartos diferentes que sempre apareciam na casa da minha mãe, criaturinhas exóticas que tínhamos a oportunidade de conhecer em função da natureza que nos cercava.

Lembro de ter apreciado bem mais do que vagalumes, conhecidos por encantarem as crianças com a luz que emanavam, que acendiam e apagavam. Lembro também da sensação que eu tinha de querer apagá-los, porque já naquela época a mamãe nos ensinava a poupar energia. Mas logo vinha algum outro bichinho que despertava minha curiosidade, pra alegria dos “com luz no bumbum”. E foi numa dessas que, certa vez, vi um algodãozinho se mexendo de forma engraçada no chão, bem perto de mim, e me apaixonei. Tudo muito poético, até que o bicho pega. Em questão de segundos eu estava aos prantos, chamando minha mãe entre profundos soluços e sob lágrimas sinceras.

Era fofinho, branquinho e mais parecia um mini algodão doce. Só não coloquei na boca porque ele me decepcionou logo no primeiro contato. A essa altura eu já o tinha esmagado involuntariamente e meus dedos queimavam, enquanto a mamãe falava com o coração partido: “Ah, filha, isso é um bicho cabeludo, não pode colocar a mão!” Não lembro como ela resolveu a situação, mas aprendi desde cedo que as aparências enganam.

Retornando ao presente, um bate papo entre amigos, aparentemente inofensivo sobre bichos. Eis que pergunto: “Vocês já viram o bicho cabeludo?” Levantei a questão porque nunca vi o algodãozinho fora da casa da minha mãe. Fui olhada com uma cara malévola de quem quer dizer: “você não devia ter falado isso”.  Em seguida veio a resposta: “Olha, acho que todos aqui já viram”. O bom é que, como toda ruiva curada de seus traumas, lido muito bem com gargalhadas ao meu redor. Estamos mais do que acostumadas com situações constrangedoras, onde particularidades nossas estão em pauta e intimidades são expostas. Literalmente ou não.

Rindo de mim mesma, procurei na internet a imagem de um bicho cabeludo, com a preocupação de definir bem as palavras, na busca para encontrar o que eu realmente queria naquele momento. E foi assim que consegui mostrar, para um dos amigos, que realmente existia um bicho com esse nome. Não achei na cor que eu conhecia, mas isso não parecia ter tanta importância.

Achava que estava tudo esclarecido, quando soube que esse tal amigo falou pros outros que mostrei o bicho cabeludo pra ele. Aí tive que mostrar pra todos, pra não pegar mal, né?!

Conclusão: amigo bicho cabeludo é assim: todos acham muito legal, até que ele queima você. Da mesma forma que o amigo marimbondo, que um dia ainda vai lhe ferrar. Ser ruiva é… rir com os amigos sempre, mesmo que a piada seja você!

Vocês já conhecem o piolho ruivo, a ruiva do zoológico e a foca ruiva. Apresento-lhes agora o bicho cabeludo ruivo, também conhecido como lagarta-de-fogo : http://www.flickr.com/photos/flaviafreitas/2359020976/