Fim de cena, CORTA!

LigaDasRuivas-Cabelos

Era pra ser um dia normal, mas eu precisava cortar o cabelo. Era tanta ponta dupla se embaraçando que de tanto se enroscarem, em breve teriam filhotes.

Não gosto de ir a salão, do tempo que se perde etc, faço o máximo que posso por conta própria em casa. Mas cortar cabelo sozinha ainda não encaro. E quando chego lá, não raramente escuto comentários de todos os tipos sobre a cor. Até aí tudo bem, já estou acostumada. Mas algo saiu diferente dessa vez. Rs…

Como aderi ao desapego de cabeleireira, cada hora é uma e em um local diferente.

Cena 1: sou apresentada à cabeleireira disponível.
No caminho até à forca, quer dizer, à cadeira do lavatório que sempre me faz achar que dessa vez vai quebrar meu pescoço, ela pergunta qual tinta uso.

Cena 2: pânico. Ó céus, ela vai cortar meu cabelo!
Incrédula, insistiu em perguntar se não tinha tonalizante ou nenhuma química pra chegar a esta cor.

Cena 3: Ao sair do lavatório, mostro minha sobrancelha e cílios, para que não reste dúvida que sou ruiva natural.
Graças a D’s foi o suficiente para convencê-la, imagina se ela pede pra ver se o carpete combina com a cortina… sentei na cadeira aliviada. Foi então que, para concluir, ela dispara a frase…

Cena 3: “Mas então o seu cabelo… É TOTALMENTE VIRGEEEMM???!!!!”
Sim, senhoras e senhores, ela gritou SÓ a segunda parte da pergunta. Pelo espelho, vi todos do salão virarem imediatamente pra mim. Acho que ela ficou mais vermelha do que eu e pediu desculpas, e tudo o que eu queria era que a cena chegasse ao final. Então olhei pra ela e só consegui dizer: CORTA!

 

Ah, vá?! Girafa também?!

girafa-branca1

Depois da Foca ruiva, do piolho ruivo , dos dinossauros ruivos (Os Dinossauros eram ruivos!) e até do Bicho cabeludo ruivo… tem girafa ruiva também?! Tem, sim Senhor! É circo ou é Zoo? Não faz diferença.

O importante é que o mundo parece estar evoluindo. A singela girafa de pele branca e cabelos alaranjados, que foi descoberta na Tanzânia, é totalmente aceita por um grupo de girafas normais, que “parecem não se importar com o fato de ela ser diferente”, como menciona este artigo: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/01/tipo-raro-de-girafa-e-encontrado-na-tanzania.html. Mas antes disso, em um cenário mais cruel, o dinossauro ruivo foi extinto, a foca foi rejeitada pela família, a realidade do bicho cabeludo literalmente exposta e a safadeza do piolho revelada. (Desculpe, se quiser entender melhor, vai ter que ler todos os posts citados acima!).

Mesmo sendo bem recebida pelo grupo, a girafa ganhou o apelido de Omo (e tudo bem para quem não é tão radical assim com conceitos extremos do que é politicamente correto) e “Por conta de sua condição, a girafinha pode ser uma presa fácil para os predadores” (não tá fácil nem pra girafa, minha gente!)

Com tanto bicho ruivo sendo evidenciado, impossível não relembrar o post De ser humano a animal de zoológico.

Juro que não escrevi este texto com o intuito de forçar ninguém a ler todos os outros, mas o que posso fazer se a cada dia descobrem um novo animalzinho ruivo no planeta?!

Sério, o mundo deve estar de zoação comigo (o que não é novidade para uma ruiva), mas está cada vez mais divertido!!!

 

Ser ruiva é…

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Ser ruiva é… ser carioca e turista, ao mesmo tempo, no Rio de Janeiro.

Ser confundida com uma turista no lugar onde nasci e vivo há (xx) anos (sem spoilers no momento), não é nenhuma novidade. Mas dessa vez ganhei até um souvenir, olha a situação melhorando pro lado Laranja da Força!

Poucos sabem como é estar na nossa pele branca e com sardas em plena praia de Copacabana, então acho válido o relato!

Peço um mate gelado de galão sujo. Status carioca: Checked. (Desculpem o inglês, mas tenho que zelar pelo meu lado turista de ser!). Passa um tempo (não muito, porque ruiva não pode ficar tanto no sol…), peço também um picolé de frutas: – “tá quanto?” e o vendedor responde: 7 reais. Ooooiiiii???? Devo ter feito uma cara tão surpresa enquanto indagava, que o cara se assustou e deu um pulo. Não sei se por perceber que minha indignação era carioca ou se de arrependimento pelo preço. Ou os dois. Continuei: – moço, sou carioca, daqui do Rio de Janeiro meSHmo, nasci aqui há 32 anos (ops! Spoiler liberado!), vivo aqui deSHde então, e embora eu eSHteja maiSH branca do que a areia e a situação econômica eSHteja triSHte, um picolé de frutaSH a 7 reaiSH eSHtá fora demaiSSHHH da realidade!!! Câmbio, desligo e respiro! Ainda atordoado, ele responde bem baixinho: – então escolhe o picolé que você quiser, por R$5, e toma esta pulseirinha aqui de presente. E toma cuidado para não ser mais confundida!

Agradeci, coloquei a pulseirinha no pé enquanto ele pegava o picolé e ri. Afinal, vou fazer o quê, além de usar o souvenir – que era uma pulseira – como tornozeleira, pra situação ficar um pouco mais estranha do que já estava?!

 

 

Tem cura, doutor?

Ontem, após uma reunião em um café, permaneci no local, trabalhando, até o horário de outro compromisso que tinha por perto.

Estava em uma bancada, mais especificamente na segunda cadeira, com um caderno à minha frente e minha pasta ao lado.

Eis que adentram o ambiente 2 portuguesas (nada contra portugueses, pelo contrário, sou apaixonada por aquele país e pelas pessoas que conheci lá!!!), cito a origem apenas para contextualizar a história de duas estrangeiras falando português, embora de Portugal, no meu país de origem, cuja língua também é o português, embora seja brasileiro.

Percebi que se movimentavam na tentativa de ocupar o cantinho que sobrava do meu lado, onde estava a primeira cadeira, mas estavam um pouco tímidas para interagir comigo. Juntei meu material, pulei uma cadeira e abri espaço para elas. Uma delas me agradeceu, em inglês.

Isso acontece com certa frequência e estaria tudo normal até aí… não fosse eu ter respondido também em inglês, automaticamente, sem nem me dar conta… só percebi na hora que saí, quando elas me olharam com simpatia, dei um sorriso e disse “tchau, bom dia”… e a que me agradeceu arregalou os olhos, e com as bochechas levemente coradas me disse um bom dia praticamente engasgado.

Tem cura, doutor?

 

Bicho cabeludo

Estava almoçando com amigos e conversávamos sobre bichos diversos. Comentei sobre insetos e lagartos diferentes que sempre apareciam na casa da minha mãe, criaturinhas exóticas que tínhamos a oportunidade de conhecer em função da natureza que nos cercava.

Lembro de ter apreciado bem mais do que vagalumes, conhecidos por encantarem as crianças com a luz que emanavam, que acendiam e apagavam. Lembro também da sensação que eu tinha de querer apagá-los, porque já naquela época a mamãe nos ensinava a poupar energia. Mas logo vinha algum outro bichinho que despertava minha curiosidade, pra alegria dos “com luz no bumbum”. E foi numa dessas que, certa vez, vi um algodãozinho se mexendo de forma engraçada no chão, bem perto de mim, e me apaixonei. Tudo muito poético, até que o bicho pega. Em questão de segundos eu estava aos prantos, chamando minha mãe entre profundos soluços e sob lágrimas sinceras.

Era fofinho, branquinho e mais parecia um mini algodão doce. Só não coloquei na boca porque ele me decepcionou logo no primeiro contato. A essa altura eu já o tinha esmagado involuntariamente e meus dedos queimavam, enquanto a mamãe falava com o coração partido: “Ah, filha, isso é um bicho cabeludo, não pode colocar a mão!” Não lembro como ela resolveu a situação, mas aprendi desde cedo que as aparências enganam.

Retornando ao presente, um bate papo entre amigos, aparentemente inofensivo sobre bichos. Eis que pergunto: “Vocês já viram o bicho cabeludo?” Levantei a questão porque nunca vi o algodãozinho fora da casa da minha mãe. Fui olhada com uma cara malévola de quem quer dizer: “você não devia ter falado isso”.  Em seguida veio a resposta: “Olha, acho que todos aqui já viram”. O bom é que, como toda ruiva curada de seus traumas, lido muito bem com gargalhadas ao meu redor. Estamos mais do que acostumadas com situações constrangedoras, onde particularidades nossas estão em pauta e intimidades são expostas. Literalmente ou não.

Rindo de mim mesma, procurei na internet a imagem de um bicho cabeludo, com a preocupação de definir bem as palavras, na busca para encontrar o que eu realmente queria naquele momento. E foi assim que consegui mostrar, para um dos amigos, que realmente existia um bicho com esse nome. Não achei na cor que eu conhecia, mas isso não parecia ter tanta importância.

Achava que estava tudo esclarecido, quando soube que esse tal amigo falou pros outros que mostrei o bicho cabeludo pra ele. Aí tive que mostrar pra todos, pra não pegar mal, né?!

Conclusão: amigo bicho cabeludo é assim: todos acham muito legal, até que ele queima você. Da mesma forma que o amigo marimbondo, que um dia ainda vai lhe ferrar. Ser ruiva é… rir com os amigos sempre, mesmo que a piada seja você!

Vocês já conhecem o piolho ruivo, a ruiva do zoológico e a foca ruiva. Apresento-lhes agora o bicho cabeludo ruivo, também conhecido como lagarta-de-fogo : http://www.flickr.com/photos/flaviafreitas/2359020976/

Foca ruiva

Vocês já conhecem o piolho ruivo, assim como a ruiva do zoológico. Apresento-lhes agora a foca ruiva.

Tranquilizem-se, nunca fui chamada de foca. Este post é apenas um apelo contra a discriminação, baseado em fatos reais… e literalmente irracionais.

A notícia não é tão recente, mas aborda um assunto que não tem dia para acabar. Serei breve, mas sem deixar de dar o recado.

Uma foca ruiva (natural) foi encontrada na Rússia, abandona por sua família. De olhos azuis e diferente do resto da família, a doce foquinha já experimentava o amargo gosto da exclusão. Como vocês poderão conferir no link, http://colunas.globorural.globo.com/planetabicho/2011/09/15/foca-ruiva-e-flagrada-por-fotografo-na-russia/, ela apresenta um semblante triste, deprimido, sem brilho.

Assim são os animais.

De ser humano a animal de zoológico

A frase final do último post trouxe à tona lembranças do início da faculdade. Assim como um produto na prateleira, ruivos também são vistos como animais de zoológico.

Andando pelo pilotis da universidade, acompanhada dos amigos, vejo uma criança correndo pra lá e pra cá. Volto minha atenção toda para ela, preocupada, achando que podia estar perdida.

Antes que pudesse ter qualquer reação, escuto: “Olha filho!” Tranquilizada pela voz de mãe que espalhava-se no ar, virei-me para ela, sorrindo. Eis que a dita cuja continua, em alto e bom tom (gritando, para ser mais precisa): “Olha filho! Uma ruiva!!!”

Percebo o silêncio entre meus amigos, ainda não acostumados com esse tipo de situação. Para não deixá-los constrangidos, segurando a provável gargalhada que queriam dar, comentei: “Olha, gente! Uma girafa, um elefante e uma ruiva! Bem vindos ao zoológico!” Tentei falar alto para que todos ao redor, que tinham seus olhares agora voltados para mim, pudessem escutar. Não sei se escutaram, mas descongelaram e voltaram aos seus afazeres.

Acho que nesse momento meus amigos respiraram aliviados… e caíram na gargalhada. A sorte deles é que sempre fui um bichinho manso e inofensível.